
Conta de hotel de R$ 8 mil e dívida sem bens para penhorar: homem acusado de golpes em app de namoro é réu em 5 processoson novembro 8, 2026 at 2:36 pm
- novembro 8, 2026 Homem acusado de golpes em aplicativo de namoro debochava de cobranças de vítima
Ele se apresentava às mulheres como engenheiro agrônomo e fazendeiro. Na Justiça, o homem de Sertãozinho (SP) acusado de golpes em aplicativos de namoro tem condenações por dívidas, uma cobrança que foi encerrada porque não havia bens para penhorar e uma ação penal parada porque não foi encontrado.
Fernando Vasco Fernandes tem 38 anos. Um levantamento do g1 nos sistemas do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) encontrou o nome dele como réu em cinco processos, de 2013 a 2026. Em todos, houve dificuldade para encontrá-lo. Em quatro, ele não apresentou defesa.
O caso mais recente é de janeiro deste ano. Fernando ficou 20 dias hospedado em Tambaú (SP) e, segundo a sentença, pagou R$ 260 de uma conta de R$ 8.172. Ele foi condenado a pagar o restante.
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Fernando não foi localizado. A EPTV, afiliada da TV Globo, esteve em um endereço ligado a ele em Sertãozinho, e uma familiar que atendeu a equipe disse não saber onde ele está. Nenhum advogado que o represente foi localizado até a última atualização desta reportagem. Em um dos processos, de 2013, ele foi defendido pela Defensoria Pública.
Fernando Vasco Fernandes, de Sertãozinho (SP), denunciado por suposto golpe contra mulheres
Arquivo pessoal
O que ele dizia e o que mostram os processos
“Fazendeiro”. Segundo as mulheres que se relacionaram com ele entre 2024 e 2026, Fernando dizia ser fazendeiro. Em 2020, a Justiça encerrou uma cobrança de R$ 6,9 mil contra ele porque não encontrou bens para penhorar. Antes disso, a Justiça tentou bloquear contas e penhorar um veículo. Segundo o processo, o oficial de justiça encontrou na casa dele apenas bens básicos e em mau estado.
“Engenheiro agrônomo”. Em um áudio anexado a uma ação na Justiça, Fernando diz que se formou em Uberaba (MG). A reportagem não conseguiu confirmar se ele tem formação superior ou registro no conselho da profissão.
“Preso eu não vou”. Em outro áudio enviado a uma das mulheres, ele diz que não seria preso por ser “formado” e que teria direito a “cela especial”, benefício derrubado pelo STF em 2023.
Ele é réu em uma ação penal por estelionato em Ribeirão Preto (SP), por um caso que não envolve as mulheres. Segundo o Ministério Público, em julho de 2025, Fernando abasteceu um carro em um posto de madrugada e foi embora sem pagar R$ 205,15. O processo está parado desde outubro porque ele não foi encontrado.
Fernando Vasco Fernandes, de Sertãozinho (SP), denunciado por suposto golpe contra mulheres
Arquivo pessoal
Os cinco processos
2013 — Ribeirão Preto: uma instituição de ensino superior, cobrou dele R$ 9,1 mil por um contrato. O processo não informa que contrato era. A ação foi encerrada em fevereiro deste ano porque o prazo para cobrar tinha passado.
2018 — Sertãozinho: ele foi condenado em 2019, sem apresentar defesa, a pagar R$ 6.925,10. Em 2020, a cobrança foi encerrada por falta de bens. O processo público não informa a origem da dívida.
2026 — Ribeirão Preto: é a ação penal por estelionato do caso do posto. Ele virou réu em março. Depois de três tentativas de entregar a citação, inclusive por WhatsApp, foi chamado por edital. Como não apareceu, o processo foi suspenso.
2026 — Pompeia (SP): é a ação de indenização de uma mulher da região de Marília (SP), que diz ter perdido R$ 30 mil. O juiz negou o bloqueio de bens, mas escreveu que as provas dela dão “verossimilhança” às alegações, ou seja, tornam a versão dela plausível. Fernando foi citado e não apresentou defesa. A ação aguarda sentença.
2026 — Tambaú: a conta de 20 dias de hospedagem. Segundo a sentença, ele assumiu em mensagens a responsabilidade pelo pagamento e pediu prazo. Não apresentou defesa e foi condenado em setembro a pagar R$ 7.912.
🔍 Revelia: quando o réu é chamado e não apresenta defesa no prazo. Na Justiça cível, o juiz pode considerar verdadeiros os fatos apresentados por quem entrou com a ação.
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O que dizem as mulheres
As mulheres que procuraram a EPTV contam histórias parecidas. Elas dizem que conheceram Fernando em aplicativos de namoro e que ele falava em casamento e filhos logo no começo. Depois, vinham os pedidos de dinheiro, com justificativas como roubos, contas bloqueadas e doenças.
Uma mulher da região de Marília afirma ter perdido R$ 30 mil e o acusa de chantagem emocional.
Uma moradora de Ribeirão Preto diz ter perdido cerca de R$ 26 mil com transferências e com um iPhone parcelado no próprio nome.
Uma terceira mulher, de uma cidade da região de Ribeirão, diz que ele usou o cartão de crédito e o carro dela.
Segundo elas, quando era cobrado, Fernando debochava ou fazia menção a amigos militares. Pelo menos cinco mulheres já procuraram a polícia para relatar casos envolvendo ele.
Em troca de mensagens, engenheiro pede que seja deixado em paz ao ser cobrado por pagamento de iPhone Sertãozinho, SP
Reprodução/EPTV
Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão e Franca
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Fernando Vasco Fernandes tem 38 anos. Um levantamento do g1 nos sistemas do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) encontrou o nome dele como réu em cinco processos, de 2013 a 2026. Em todos, houve dificuldade para encontrá-lo. Em quatro, ele não apresentou defesa.
O caso mais recente é de janeiro deste ano. Fernando ficou 20 dias hospedado em Tambaú (SP) e, segundo a sentença, pagou R$ 260 de uma conta de R$ 8.172. Ele foi condenado a pagar o restante.
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Fernando não foi localizado. A EPTV, afiliada da TV Globo, esteve em um endereço ligado a ele em Sertãozinho, e uma familiar que atendeu a equipe disse não saber onde ele está. Nenhum advogado que o represente foi localizado até a última atualização desta reportagem. Em um dos processos, de 2013, ele foi defendido pela Defensoria Pública.
Fernando Vasco Fernandes, de Sertãozinho (SP), denunciado por suposto golpe contra mulheres
Arquivo pessoal
O que ele dizia e o que mostram os processos
“Fazendeiro”. Segundo as mulheres que se relacionaram com ele entre 2024 e 2026, Fernando dizia ser fazendeiro. Em 2020, a Justiça encerrou uma cobrança de R$ 6,9 mil contra ele porque não encontrou bens para penhorar. Antes disso, a Justiça tentou bloquear contas e penhorar um veículo. Segundo o processo, o oficial de justiça encontrou na casa dele apenas bens básicos e em mau estado.
“Engenheiro agrônomo”. Em um áudio anexado a uma ação na Justiça, Fernando diz que se formou em Uberaba (MG). A reportagem não conseguiu confirmar se ele tem formação superior ou registro no conselho da profissão.
“Preso eu não vou”. Em outro áudio enviado a uma das mulheres, ele diz que não seria preso por ser “formado” e que teria direito a “cela especial”, benefício derrubado pelo STF em 2023.
Ele é réu em uma ação penal por estelionato em Ribeirão Preto (SP), por um caso que não envolve as mulheres. Segundo o Ministério Público, em julho de 2025, Fernando abasteceu um carro em um posto de madrugada e foi embora sem pagar R$ 205,15. O processo está parado desde outubro porque ele não foi encontrado.
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2013 — Ribeirão Preto: uma instituição de ensino superior, cobrou dele R$ 9,1 mil por um contrato. O processo não informa que contrato era. A ação foi encerrada em fevereiro deste ano porque o prazo para cobrar tinha passado.
2018 — Sertãozinho: ele foi condenado em 2019, sem apresentar defesa, a pagar R$ 6.925,10. Em 2020, a cobrança foi encerrada por falta de bens. O processo público não informa a origem da dívida.
2026 — Ribeirão Preto: é a ação penal por estelionato do caso do posto. Ele virou réu em março. Depois de três tentativas de entregar a citação, inclusive por WhatsApp, foi chamado por edital. Como não apareceu, o processo foi suspenso.
2026 — Pompeia (SP): é a ação de indenização de uma mulher da região de Marília (SP), que diz ter perdido R$ 30 mil. O juiz negou o bloqueio de bens, mas escreveu que as provas dela dão “verossimilhança” às alegações, ou seja, tornam a versão dela plausível. Fernando foi citado e não apresentou defesa. A ação aguarda sentença.
2026 — Tambaú: a conta de 20 dias de hospedagem. Segundo a sentença, ele assumiu em mensagens a responsabilidade pelo pagamento e pediu prazo. Não apresentou defesa e foi condenado em setembro a pagar R$ 7.912.
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Segundo elas, quando era cobrado, Fernando debochava ou fazia menção a amigos militares. Pelo menos cinco mulheres já procuraram a polícia para relatar casos envolvendo ele.
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Reprodução/EPTV
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