
O que esperar da prova da Unicamp com mais questões de humanas e menos de física, química e biologia?on outubro 22, 2023 at 8:00 am
- outubro 22, 2023 Vestibular aumentou número de perguntas de filosofia e sociologia, disciplinas que passaram a ser exigidas nas duas fases do exame. ‘Vestibulou’: O que esperar da prova da Unicamp com mais questões de humanas?
A primeira fase da Unicamp está chegando. No próximo sábado (29), 64,7 mil candidatos vão realizar o exame que, a partir deste ano, conta com mais questões de humanas e menos de ciências da natureza, área que engloba as disciplinas de física, química e biologia.
Com a alteração, a Unicamp passa a cobrar conhecimentos de filosofia e sociologia nas duas fases do exame.
Na segunda fase, houve redução no número de questões de matemática nas provas específicas dos cursos de humanas e ciências da natureza. A mudança foi anunciada em março pela Comvest, comissão organizadora do vestibular.
Mas, além dos números, o que isso significa para quem está concorrendo uma vaga na Unicamp? É possível que a prova fique mais conteudista, ou seja, cobre mais conteúdos específicos e aprofundados das disciplinas?
O g1 conversou com professores do Curso Pré Vestibular Oficina do Estudante para entender como a mudança impacta as disciplinas de humanas e o que os candidatos devem esperar do novo formato de prova.
Uma das entradas do campus da Unicamp em Campinas
Antoninho Perri / Unicamp
Mais filosofia e sociologia
A primeira fase do Vestibular Unicamp 2024 segue com 72 questões divididas entre linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas.
Com o rearranjo, a prova passa a cobrar três questões específicas de filosofia e três de sociologia. Antes, as disciplinas estavam incluídas em história. Veja as mudanças na tabela abaixo.
Número de questões por áreas do Vestibular Unicamp
Com isso, o conteúdo de filosofia e sociologia representa quase 10% da prova da primeira fase, aponta o professor de Humanidades do Curso e Colégio Oficina do Estudante Henrique Ribeiro Morele. “Naturalmente, isso aumenta a importância dessas disciplinas”, afirma.
“Os alunos, a partir deste ano, passarão a encontrar com maior incidência temas que a Unicamp sempre gostou: democracia, movimentos sociais, ética e teorias do conhecimento”, pontua.
O professor explica que temas de grande repercussão social, principalmente durante o primeiro semestre do ano, podem servir de contexto para a elaboração das perguntas.
Uma de suas apostas é a temática indígena, que pode ser abordada das seguintes formas:
a construção da cidadania indígena frente à polêmica do marco temporal,
a vulnerabilidade das populações quilombolas,
a luta dos movimentos sociais diante do avanço das fronteiras agrícolas.
Alunos fazem prova da segunda fase da Unicamp em Campinas
Júlio César Costa/g1
Geografia
Ao destinar três questões para a sociologia, numericamente, a Comvest tirou uma questão de geografia na prova da primeira fase. Mas o professor Sebastian Fuentes, do Curso e Colégio Oficina do Estudante, explica que não é bem assim: a perda pode ser vista como um ganho e até mesmo como um aumento na cobrança por conteúdos da disciplina.
“A geografia, junto com a sociologia, tinha oito questões na prova. Agora, serão sete apenas para geografia. Então, provavelmente, nós teremos algumas questões na prova vinculadas ao conteúdo específico da disciplina”, explica Fuentes.
Isso, no entanto, não quer dizer que a prova deste ano fique mais conteudista. A aposta de Fuentes é justamente o contrário: questões relacionadas à atualidades devem continuar predominando na Unicamp.
“A prova tende a ser cada vez menos conteudista e mais contextualizada, voltada a questões do Brasil e do mundo em relação à sociedade, economia e guerras, só que sempre voltada mais à interpretação e análise do aluno e não a decoreba”, diz o professor.
Vista aérea da Unicamp, em Campinas
Antoninho Perri/Ascom/Unicamp
História
O rearranjo das questões pela Comvest deve fazer com que mais questões que dialogam com a disciplina de história, seja diretamente ou de forma interdisciplinar, apareçam na primeira fase. “A prova da Unicamp manterá seu estilo”, afirma o professor Marcus Vinícius de Morais, do Curso e Colégio Oficina do Estudante.
Isso significa que a prova deve manter o diálogo entre textos que relacionam contextos atuais e a matéria ensinada em sala de aula nos enunciados.
“A interpretação de texto não é algo que se separa do conteúdo. O aluno, para entender os textos, precisa de repertório e conhecimentos prévios a respeito dos assuntos”, alerta.
Morais explica que a Comvest pretende selecionar alunos que sejam capazes de ler o mundo. “Essa ‘leitura de mundo’ passa pela capacidade dos alunos de lerem textos, poemas, músicas e imagens”, diz.
Em História do Brasil, o professor diz que a tendência é que caia temas relacionados ao século XIX e Brasil República. Mas ele também tem outra aposta: o número de questões interdisciplinares deve aumentar.
A sede da Comvest, na Unicamp
Rafael Smaira/g1
Interdisciplinaridade e ‘peneira’
Questões interdisciplinares são aquelas que exigem conteúdo de duas ou mais disciplinas. Geralmente, elas são contextualizadas. Por exemplo, um texto sobre doação de órgãos que mencione o transplante do apresentador Faustão pode dar origem à perguntas que misturem biologia com sociologia.
A interdisciplinaridade é uma figurinha carimbada nos grandes vestibulares, principalmente em ciências humanas. Ao pedir análises que unem conceitos de matérias diferentes, o exame também faz uma espécie de peneira dos candidatos.
O professor Fuentes explica que estudantes que prestam vestibular para cursos mais concorridos, como medicina, costumam gabaritar questões de biologia e física, que são disciplinas que têm uma relação mais direta com a área escolhida.
“A Comvest está observando que o seu trabalho é selecionar aqueles candidatos que a Unicamp mais deseja, que são alunos críticos e capazes de trabalhar com os desafios da sociedade”, afirma.
VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região
Veja mais notícias da região no g1 CampinasVestibular aumentou número de perguntas de filosofia e sociologia, disciplinas que passaram a ser exigidas nas duas fases do exame. ‘Vestibulou’: O que esperar da prova da Unicamp com mais questões de humanas?
A primeira fase da Unicamp está chegando. No próximo sábado (29), 64,7 mil candidatos vão realizar o exame que, a partir deste ano, conta com mais questões de humanas e menos de ciências da natureza, área que engloba as disciplinas de física, química e biologia.
Com a alteração, a Unicamp passa a cobrar conhecimentos de filosofia e sociologia nas duas fases do exame.
Na segunda fase, houve redução no número de questões de matemática nas provas específicas dos cursos de humanas e ciências da natureza. A mudança foi anunciada em março pela Comvest, comissão organizadora do vestibular.
Mas, além dos números, o que isso significa para quem está concorrendo uma vaga na Unicamp? É possível que a prova fique mais conteudista, ou seja, cobre mais conteúdos específicos e aprofundados das disciplinas?
O g1 conversou com professores do Curso Pré Vestibular Oficina do Estudante para entender como a mudança impacta as disciplinas de humanas e o que os candidatos devem esperar do novo formato de prova.
Uma das entradas do campus da Unicamp em Campinas
Antoninho Perri / Unicamp
Mais filosofia e sociologia
A primeira fase do Vestibular Unicamp 2024 segue com 72 questões divididas entre linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas.
Com o rearranjo, a prova passa a cobrar três questões específicas de filosofia e três de sociologia. Antes, as disciplinas estavam incluídas em história. Veja as mudanças na tabela abaixo.
Número de questões por áreas do Vestibular Unicamp
Com isso, o conteúdo de filosofia e sociologia representa quase 10% da prova da primeira fase, aponta o professor de Humanidades do Curso e Colégio Oficina do Estudante Henrique Ribeiro Morele. “Naturalmente, isso aumenta a importância dessas disciplinas”, afirma.
“Os alunos, a partir deste ano, passarão a encontrar com maior incidência temas que a Unicamp sempre gostou: democracia, movimentos sociais, ética e teorias do conhecimento”, pontua.
O professor explica que temas de grande repercussão social, principalmente durante o primeiro semestre do ano, podem servir de contexto para a elaboração das perguntas.
Uma de suas apostas é a temática indígena, que pode ser abordada das seguintes formas:
a construção da cidadania indígena frente à polêmica do marco temporal,
a vulnerabilidade das populações quilombolas,
a luta dos movimentos sociais diante do avanço das fronteiras agrícolas.
Alunos fazem prova da segunda fase da Unicamp em Campinas
Júlio César Costa/g1
Geografia
Ao destinar três questões para a sociologia, numericamente, a Comvest tirou uma questão de geografia na prova da primeira fase. Mas o professor Sebastian Fuentes, do Curso e Colégio Oficina do Estudante, explica que não é bem assim: a perda pode ser vista como um ganho e até mesmo como um aumento na cobrança por conteúdos da disciplina.
“A geografia, junto com a sociologia, tinha oito questões na prova. Agora, serão sete apenas para geografia. Então, provavelmente, nós teremos algumas questões na prova vinculadas ao conteúdo específico da disciplina”, explica Fuentes.
Isso, no entanto, não quer dizer que a prova deste ano fique mais conteudista. A aposta de Fuentes é justamente o contrário: questões relacionadas à atualidades devem continuar predominando na Unicamp.
“A prova tende a ser cada vez menos conteudista e mais contextualizada, voltada a questões do Brasil e do mundo em relação à sociedade, economia e guerras, só que sempre voltada mais à interpretação e análise do aluno e não a decoreba”, diz o professor.
Vista aérea da Unicamp, em Campinas
Antoninho Perri/Ascom/Unicamp
História
O rearranjo das questões pela Comvest deve fazer com que mais questões que dialogam com a disciplina de história, seja diretamente ou de forma interdisciplinar, apareçam na primeira fase. “A prova da Unicamp manterá seu estilo”, afirma o professor Marcus Vinícius de Morais, do Curso e Colégio Oficina do Estudante.
Isso significa que a prova deve manter o diálogo entre textos que relacionam contextos atuais e a matéria ensinada em sala de aula nos enunciados.
“A interpretação de texto não é algo que se separa do conteúdo. O aluno, para entender os textos, precisa de repertório e conhecimentos prévios a respeito dos assuntos”, alerta.
Morais explica que a Comvest pretende selecionar alunos que sejam capazes de ler o mundo. “Essa ‘leitura de mundo’ passa pela capacidade dos alunos de lerem textos, poemas, músicas e imagens”, diz.
Em História do Brasil, o professor diz que a tendência é que caia temas relacionados ao século XIX e Brasil República. Mas ele também tem outra aposta: o número de questões interdisciplinares deve aumentar.
A sede da Comvest, na Unicamp
Rafael Smaira/g1
Interdisciplinaridade e ‘peneira’
Questões interdisciplinares são aquelas que exigem conteúdo de duas ou mais disciplinas. Geralmente, elas são contextualizadas. Por exemplo, um texto sobre doação de órgãos que mencione o transplante do apresentador Faustão pode dar origem à perguntas que misturem biologia com sociologia.
A interdisciplinaridade é uma figurinha carimbada nos grandes vestibulares, principalmente em ciências humanas. Ao pedir análises que unem conceitos de matérias diferentes, o exame também faz uma espécie de peneira dos candidatos.
O professor Fuentes explica que estudantes que prestam vestibular para cursos mais concorridos, como medicina, costumam gabaritar questões de biologia e física, que são disciplinas que têm uma relação mais direta com a área escolhida.
“A Comvest está observando que o seu trabalho é selecionar aqueles candidatos que a Unicamp mais deseja, que são alunos críticos e capazes de trabalhar com os desafios da sociedade”, afirma.
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